terça-feira, 23 de junho de 2009

O grau de conhecimento que você tem do universo onde vive é proporcional ao conhecimento que tem de si mesma.” CHIN-NING CHU (escritora)


É necessário conhecer o passado para entender o presente e mudar o futuro. Portanto, para iniciar um diálogo com as mulheres maduras que acessam este blog, trazemos para este primeiro encontro com vocês, uma breve reflexão sobre a história da mulher em nosso País.
Todas nós temos lembranças e casos prá contar do tempo de nossas avós e mães, mas talvez não saibamos como e quando as mudanças começaram a acorrer no Brasil....
O processo é longo e doloroso, mas vamos começar no início da década de 80, quando alguns grupos se organizaram para dar voz e atenção a outros grupos considerados minoritários, tais como os negros e as mulheres. Algumas conquistas trouxeram benefícios, tais como: a utilização liberada da pílula anticoncepcional, que possibilitou à mulher um maior controle sobre seu corpo; a saída para o mercado de trabalho, que estimulou uma busca pela formação em outras áreas do conhecimento, antes nem sonhadas pelas mulheres e a conquista de espaços considerados exclusividade masculina, que demonstrou potencialidades femininas antes desconhecidas. Foram muitas mudanças favoráveis, mas que ainda não nos libertaram das difíceis tarefas domésticas, bem como de outros papéis que nos impõem comportamentos e atitudes muitas vezes inaceitáveis. Aprendemos a reivindicar e alguns direitos foram até consolidados, no entanto, muito ainda existe por fazer.
Entendemos que no Direito, no Trabalho, na Saúde, na Educação, os avanços foram consideráveis, mas queremos discutir os “avanços” que ocorreram dentro de cada uma de nós, mulheres maduras, que vivemos intensamente essa mudança e ainda estamos passando de uma cultura de dominação masculina, para um movimento de equilíbrio de espaços. Historicamente ao homem sempre foi atribuída a força e à mulher, a sensibilidade e fragilidade. No entanto, infelizmente, essa cultura ainda se encontra de tal forma fortalecida dentro do mundo feminino, principalmente da faixa etária a partir dos 40 anos, que verificamos comportamentos de submissão afetiva em mulheres de sucesso profissional e financeiro.
A Lei Maria da Penha está sendo responsável pela diminuição dos casos de agressão física, mas como se explicam determinadas agressões psicológicas e emocionais, aceitas pela sociedade, pelos familiares e pela própria vítima? Desconhecimento da Lei? Desconhecimento dos danos que tais atitudes causam na personalidade feminina? Aceitação do que “sempre foi e não vai mudar”? Ou, pior do que tudo isso, a trágica frase “é melhor com ele do que sozinha”?
Esta é uma reflexão importantíssima para nós mulheres, de uma forma geral, mas, principalmente, para a faixa etária que recebeu em suas raízes uma forte influencia cultural da dominação masculina.
Plantamos sementes em meio à tempestade. Veio o sol. Como está nossa colheita? Como está nossa relação com essas raízes? E, mais importante ainda, como está nossa relação com nosso próprio Eu?
Vamos pensar nisso? Na próxima semana, abriremos as portas e tentaremos acender a luz interior para observar o complexo universo feminino das mulheres maduras......... Até lá!

Virgínia da Costa Liebort Nina - Psicóloga

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